
Modos de estar no mundo : gestos, sombras e técnicas para pisar a terra.
No dia 17 de abril, entre as 16h e as 20h, propomos um encontro com académic@s, artistas e ativist@s que problematiza técnicas não apenas como instrumentos, mas como modos de existência, formas de relação e de pensamento que emergem do corpo e do espaço. Inspirando-nos em Ailton Krenak, André Lepecki e Paul Carter, refletimos sobre a política do chão, sobre gestos de mobilidade e sobre como outras formas de corpo e movimento podem abrir novas possibilidades de habitar o mundo.
O programa do encontro inclui:
16h – 17h30
Rafaela Francisco- “O Caçador de Uma Flecha Só e o devir em Poéticas Transatlânticas” – uma palestra-performance cénica e pedagógica que utiliza o arquétipo de Oxóssi, a Capoeira Angola e a mitologia dos orixás para materializar o conceito de “Poéticas Transatlânticas”. Através de uma “dança-ação de histórias”, explora o corpo como arquivo vivo de memórias ancestrais e como ferramenta política de enfrentamento ao racismo estrutural.
Mariana Tembe – “Ainda Aqui” – exploração do corpo como território de marcas da realidade contemporânea, revelando tensões sociais, precariedade material e pressões invisíveis que moldam a vida quotidiana. A obra propõe identificação emocional e reflexão crítica no espectador.
Mia Meneses – reflexão sobre como práticas artísticas podem integrar perspetivas de acessibilidade e deficiência, tema transversal à sua formação. O seu trabalho explora a relação entre corpo, presença e espaço através de improvisação, escuta e composição performativa, partilhando também ferramentas e exercícios do seu processo criativo.
17h45 – 18h45
Ana Santos – apresenta “A Minha Escola” realizado por Henry Malaka no contexto da investigação de Ana Santos. Com próteses já obsoletas para a sua idade, Henry transforma a câmara numa ferramenta de exploração do mundo, revelando uma poética da mobilidade lenta e atenção ao chão. Ana Santos propõe o exercício “Mapa de Acessos” a partir do filme.
Paulo Raposo – palestra-performativa baseada num fotoensaio com Micol Brazzabeni, explorando texturas simbióticas epidérmicas humanas e não humanas, incluindo vitiligo, fungos e líquens. Propõe-se um diálogo sobre como superfícies corporais e não humanas podem inspirar reflexão crítica sobre corpo, espaço e interações sensíveis.
19h – 20h
Encerramento com Christine Greiner – reflexão final sobre os diálogos do dia. A autora de Corpos Crip: instaurar estranhezas para existir (N-1 Edições, 2023) trará contribuições sobre corpo, diferença e enquadramentos sensíveis e políticos da experiência, tecendo pontes entre perspetivas e práticas corporais divergentes.
O encontro realiza-se na Biblioteca de Alcântara – José Dias Coelho. A entrada está sujeita à lotação da sala.
Não é necessária inscrição prévia para participar e o espaço é acessível.
Evento organizado por Ana Santos e Paulo Raposo. Com apoio da Biblioteca de Alcântara, CRIA – Centro em Rede de Investigação em Antropologia, LAV – Laboratório Audiovisual do CRIA e Associação Caroço.
O evento é presencial e será conduzido em língua portuguesa (PT/BR).
Apareçam!
