
MÁRIO AFONSO FRAMEWORK
Escrever. Apagar. Voltar a escrever e repetir a ação.
Framework é um dueto com um quadro branco, cuja superfície plana oferece a possibilidade de registar a concretude da palavra e a subjetividade do desenho, nos interstícios da ação determinada do gesto que apaga, que faz tábua rasa para prosseguir. Uma música de Count Basie, manipulada na duração para servir de moldura temporal à peça, cria a ilusão de estrutura coreográfica pela justaposição do ritmo musical e dos movimentos meramente funcionais do intérprete. Nesta reflexão em torno do real há uma qualidade festiva, pois não esqueci, naturalmente, a poética do tempo e do lugar em que me encontro. The show must go on!
De uma forma direta e austera, este corpo, nu, expõe as suas dúvidas e revela a fragilidade de quem se coloca perante o abismo, ou o insondável da existência e da criação. Aquele lugar que não sabemos, mas que a todos pertence. Que nos deixa desarmados perante o vazio, mas também num estado de potência, como uma janela aberta onde nos projetamos exaltantes e livres.
Miguel Pereira (coreógrafo) sobre Framework
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MÁRIO AFONSO FRAMEWORK – Teatro Bairro Alto
