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Julião Sarmento: Abstracto, Branco, Tóxico e Volátil

Julião Sarmento: Abstracto, Branco, Tóxico e Volátil

Julião Sarmento: Abstracto, Branco, Tóxico e Volátil – Museu Berardo

12/05/2022 – 01/01/2023
Piso:  -1
Curadoria:
Catherine David

«Penso que não teria sido capaz de fazer o que fiz sem a memória da minha vida, ou sem a memória da história de arte, no que a isso se refere… Na realidade, vejo o meu trabalho como um amontoado de informações diferentes.
Sempre foi assim. Aquilo que faço hoje em dia é parte daquilo que fiz ontem, do que fiz há 20 anos atrás e daquilo que virei a fazer amanhã.
» [1]

«Não existem factos, apenas interpretações.» [2]
A exposição Abstracto, Branco, Tóxico e Volátil, título de uma peça de 1997, é a primeira grande exposição que se realiza após a morte de Julião Sarmento, reunindo um conjunto muito significativo de obras que marcaram a sua carreira e cuja seleção resultou de uma estreita colaboração do artista com a curadora da exposição, Catherine David.

Foi um projeto pelo qual o artista lutou e no qual se empenhou de uma forma extraordinária. O layout desta exposição e a disposição das obras nas salas foram finalizados dois meses antes da sua morte. Para Julião, a instalação dos seus trabalhos no espaço era parte integrante das obras que expunha, pois considerava de capital importância a relação que se estabelece entre o trabalho, o espaço que o envolve e o espectador.

Abstracto, Branco, Tóxico e Volátilé uma exposição em que o Julião está muito presente e em que podemos não só sentir a sensualidade das suas texturas e a complexidade das suas composições, mas também descobrir as suas imagens enigmáticas, delicadas e perversas, de uma enorme sofisticação plástica e teórica.

As suas obras não apresentam conclusões, teses ou hipóteses. Não fazem perguntas, nem dão respostas; antes, propõem-nos que entremos no seu jogo entre a dissimulação e a revelação, e que construamos as nossas histórias.
***

Julião Sarmento nasceu em Lisboa no dia 4 de maio de 1948. Frequentou os cursos de Arquitectura e Pintura da ESBAL entre 1967 e 1974. Foi um dos artistas portugueses com uma carreira internacional mais solidamente firmada, tendo construído um percurso artístico de enorme coerência, riqueza e intensidade.
Em permanente renovação e em estreita ligação com as práticas artísticas da sua época, que vão do pós-pop até à atualidade, utilizou uma grande diversidade de meios e técnicas, como fotografia, pintura, colagem, desenho, escultura, performance e filme, para implantar um vocabu- lário conciso de imagens ambíguas.

O artista foi muito influenciado pela cultura anglo-saxónica e pelos temas e imagens da literatura e do cinema, muito presentes nas suas obras através de citações e montagens. A sua obra tem uma dimensão performativa e teatral, acumulativa pela permanente convocação de temas e de representações intemporais — como a mulher, a sexualidade, a transgressão, a memória, a dualidade, a casa, a palavra — que funcionam como eixos estruturantes da sua obra.

A sua carreira inicia-se na década de setenta, mais precisamente em 1974, quando começa a utilizar a fotografia não como meio de representação mas antes para captar, enumerar e encenar situações, focalizar os detalhes.
As suas pinturas confrontam fragmentos, imagens de glamour e de violência, com a palavra, que aparece como forma de pesquisar a ambivalência das coisas, como um jogo de significados entre o que se manifesta e o que se esconde. Esta dimensão fragmentária que Julião Sarmento explora nas suas obras ao longo de toda a sua carreira vai-se simplificando e depurando progressivamente nos anos oitenta e noventa, quando a sua pintura se torna mais contida, mais minimal.

É na década de oitenta que Julião Sarmento se torna conhecido como pintor, conotado com o chamado «regresso à pintura», e que inicia o seu percurso internacional, participando nas documenta de Kassel em 1982 e 1987. O período das suas Pinturas Brancas, em que predomina
o desenho a grafite sobre fundo branco e em que a figura feminina é representada com enorme contenção e subtileza, coincide com a plena consagração nacional ao representar Portugal na 46.ª Bienal de Veneza, em 1997. Igualmente importantes foram as suas colaborações com Atom Egoyan, na 48.ª Bienal de Veneza, em 2001, e com John Baldessari e Lawrence Weiner, num filme realizado em 2004.

A sua obra que foi alvo de inúmeras exposições em grandes instituições nacionais e internacionais, e foram muitos os historiadores e críticos de arte, como Germano Celant, Alexandre Melo, Nancy Spector, Delfim Sardo, Hubertus Gabner, James Lingwood, Adrian Searle, Louise Neri, entre outros, que se interessaram e escreveram sobre as suas obras.

 

Rita Lougares
Diretora Artística

Fotografia: Rita Carmo

Data

09 Out 2022 - 05 Fev 2023

Hora

10:00 - 19:00

Localização

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