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Exibição de filme A Família Dionti

EXIBIÇÃO DO FILME A FAMÍLIA DIONTI DE ALAN MINAS

e Sessão de autógrafos do último romance do autor “O Mundo nos Cabia”

 

CCCV – Centro Cultural de Cabo Verde

 

9 SET | SEX
19H

 

O diretor Alan Minas e o CCCV – Centro Cultural de Cabo Verde convidam todas e todos para a exibição do longa-metragem A Família Dionti dirigido por Alan Minas, no dia 9 de setembro, pelas 19 horas.  Um filme sobre uma família como todas as outras do Brasil e, ao mesmo tempo, única. Produzido pela Caraminhola Filmes, A Família Dionti é o primeiro longa do diretor e roteirista Alan Minas e aborda o tema universal da descoberta do amor, sem perder as cores regionais do interior do Brasil contemporâneo.

A exibição fílmica será seguida por uma sessão de autógrafos do romance do mesmo autor, O Mundo nos Cabia.

 

Sinopse A Família Dionti

 

Original e poético, A Família Dionti narra a fantástica história de um pai e seus dois filhos, Kelton, de 13 anos, e Serino, de 15, que vivem num sítio no interior de Minas Gerais. A mãe não mora mais com eles, pois derreteu de amor, evaporou e partiu. Enquanto todos os dias sonha com a volta da mulher a cada chuva que cai, o pai cuida dos filhos com olhar atento, preocupado com a possibilidade de que tenham herdado o dom da mãe. Mas Serino é seco e chora grãos de areia. Já Kelton, ao se apaixonar pela primeira vez por uma garota de circo, literalmente se liquefaz de amor.

 

A Família Dionti retrata de forma especial o tema universal da descoberta do amor, sem deixar de lado as cores regionais do interior do Brasil contemporâneo. É madrugada, começa a chover. Josué Dionti desperta. Acompanha o salpicar da água no telhado da casa como quem espera um convidado especial, prestes a chegar. Mas sem nunca avisar. Kelton, o filho caçula, acorda com o barulho da chuva, perde o sono. Está apreensivo com quem pode chegar naquelas águas. Ele teme deixar de ser gente, se transformar em outra coisa, conforme as histórias que o pai lhes conta. Serino, o irmão mais velho, o acalma. Acredita que eles não correm esse risco.

 

Sofia, uma menina do circo, começa a estudar na sala de Kelton. O menino sente-se atraído por ela, possui um sentimento novo e incontrolável pela amiga. Ela lhe conta sobre os números de mágica de sua trupe. Narra como o pai a parte ao meio, e como o tio transforma sua tia em um lindo girassol. Kelton sonha em um dia ir embora com o circo. Mas o irmão reprova seu pensamento, ele não gosta de pessoas que viajam muito, vivem indo embora, deixando quem se gosta para trás.

Na escola, Kelton está ao lado de Sofia, observando cada detalhe da menina. Começa a suar, a transpirar em excesso, e acaba passando mal. Perde os sentidos. Ele é levado para o posto de saúde. O médico diz a Josué que seu filho está com uma doença séria, desconhecida. Precisa ir se tratar na cidade. Mas Josué recusa-se a ir, não pode largar o emprego. Ele Sabe que o menino herdou a mesma doença da mãe, que um dia foi embora. Os dias passam e mais uma vez Kelton começa a transpirar muito por estar perto de Sofia. Ele perde os sentidos, é levado para o posto de saúde às pressas. O médico torna a avisar ao pai a importância dele se tratar em um grande centro. Dessa vez o profissional é enfático a respeito dos cuidados que o menino necessita, os desmaios tornaram-se frequentes. Mas Josué segue intransigente. Ele leva Kelton para casa e o menino continua a suar cada vez mais. Até que chega a derreter. Literalmente. Serino e Josué entram no quarto de Kelton, onde o menino não mais está. Agora há uma enorme poça de suor em todo o ambiente. Os dois secam o chão, entornam o líquido numa grande caixa d`água, que serve para recolher a água da chuva. Horas depois, Kelton volta a forma de menino. Dessa vez o pai fica aflito com o que aconteceu com o menino. Ele sabe que pode perdê-lo para sempre, como um dia perdeu a mulher, que foi embora em busca de um novo amor. Dias depois, a assistente social do conselho tutelar vai à casa de Josué e lhe entrega uma intimação para ele se apresentar ao juiz. Ele precisa se explicar contra uma acusação de maus tratos aos meninos. Seu direito de cuidar dos próprios filhos está sendo ameaçado. Josué fica furioso com a ameaça. Ele se enraivece com a mulher que partiu, e os deixou ali. Decide não mais esperar por ela, e recomeçar sua vida sem mais a expectativa de sua chegada a cada chuva. Na estrada, Kelton se despede de Sofia. Ambos estão tristes com a partida. Kelton diz que sentirá saudade dela, mas deixa escapar que seu irmão não sentirá, pois ele não gosta de pessoas que vão embora. Sofia não gosta do que acaba de ouvir, e os dois acabam discutindo. Cada um segue seu caminho. Kelton vai para casa pedalando sob o sol forte, que pousa sobre seus ombros. A lembrança de Sofia e o forte calor o faz suar ainda mais. Assim, ele acaba se derretendo de paixão pela menina em plena estrada. Algum tempo depois, Serino passa pelo mesmo caminho e encontra os pertences do irmão espalhados no chão, em uma enorme poça d`água no meio da estrada. Ele tenta secar, recolher o irmão, mas seu esforço é em vão. A água de Kelton se evapora, transforma- -se em uma nuvem, que ganha o céu e segue seu caminho. Enquanto Sofia pedala de volta para o circo, ele a alcança e plana sobre ela. Sofia se assusta ao perceber a nuvem próxima dela. Tenta escapar, mas não consegue, continua sendo seguida. Sofia corre e se esconde atrás de uma árvore. Ali, ela lembra de algo, pega na bolsa o desenho que Kelton fez para ela: no papel tem uma menina tomando banho de chuva, sob uma nuvem sorridente. Ela compreende que a nuvem é a presença de Kelton. Ela volta à estrada e admira a nuvem, que aos poucos começa a chover. Com um enorme sorriso Sofia toma um banho de chuva.

 

Sobre o livro O Mundo nos Cabia

 

Manoel Promessa e a sua família vivem em Espera, uma vila em ruína. O patriarca tem a obsessiva missão de devolver a prosperidade ao lugar, resgatar o momento áureo quando a vila foi fundada por seu avô. Entre os moradores remanescentes, estão Cândida Alma, uma freira divorciada de Deus, hábil alquimista e Safira Pontes, uma mulher que pare estrelas. Sob a rígida norma de Manoel, os sete filhos recebem a incumbência de ajudá-lo na missão de fazer o lugar renascer. Aos poucos, os filhos conseguem escapar da sina imposta. Neilson, o primogénito, com o desejo de ser um homem bom, parte em errância com o propósito de fazer cessar todas as guerras do mundo. Maria Dossim foge com um anjo anunciador, que desmemoriado por conta de sua queda ao chão, viveu como agregado junto à família durante dois anos. Zudileu, o caçula, perde a materialidade do corpo e, aos poucos, transfigura-se em sombra, até ir embora de mãos dadas com a Noite, sua verdadeira mãe. A agravar o desalento de Manoel, ele descobre uma rachadura que circunda a vila: uma evidência de que Espera está desgarrada do mundo. Tal revelação justifica o seu insucesso em reavivar o lugar, mas não o impede de seguir o seu intento. Obstinado, passa a dedicar os dias a construir amarras em toda extensão da rachadura, no desejo de devolver Espera ao mundo.

 

 

Sobre o autor

 

Mestre em Literatura pela FLUL – Faculdade de Literatura da Universidade de Lisboa -, Alan Minas escreveu os livros “A Morte Inventada – Ensaios e Vozes” (organização de artigos), pela ed. Saraiva; o romance “A Família Dionti”, editado pela Berlendis & Vertechhia  (selecionado pelo PNLD 2022); o livro juvenil “Quando Ju Escapou pra Dentro”, editado pela Berlendis & Vertechhia  (selecionado pelo PNLD 2020); o livro infanttil “Gente que se Apaga”, ed. Metanoia; e “O Mundo nos Cabia” (romance), lançado em 2021, em Portugal e no Brasil,

Alan Minas roteirizou e dirigiu o longa-metragem de ficção “A Família Dionti” (Brasil / UK – 2015) selecionado pelo Latin America Fund do Tribeca Film Institute – NY/USA, premiado nos festivais de Brasília (Melhor Longa Júri popular); no Festin Lisboa (Melhor Longa Júri popular); no Young About Bolonha (Melhor Roteiro); no San Diego Festival de Cinema Infantil (Melhor Ator Criança) e na 3ª Mostra de Cinema de Gostoso – RN (Melhor Longa). Dirigiu e roteirizou os longa-metragens documentários “A Morte Inventada” (2009) e “Você não Sabia de Mim”, lançado em 2021, no DocLisboa e no Brasil. No momento, encontra-se em pré-produção para a filmagem da longa metragem de ficção “O Deserto de Luíza”, que será apresentado ainda este ano no Rio de Janeiro.

 

Data

09 Set 2022

Hora

19:00 - 21:00

Localização

CCCV - Centro Cultural de Cabo Verde
Rua de São Bento, 640, Lisboa