
AZULTEJO – Exposição de pintura de Miguel Barros
AZULTEJO assinala um momento particularmente significativo no percurso artístico de Miguel Barros: 40 anos de carreira como pintor.
Quatro décadas após a sua primeira exposição em Lisboa, o artista regressa à cidade onde tudo começou para celebrar um percurso marcado pela dedicação à pintura e à relação profunda e permanente com uma cidade que, apesar da distância, nunca deixou de habitar a sua memória.
Patente no MAC Movimento Arte Contemporânea, de 15 a 29 de setembro, a exposição reúne um conjunto de obras que evocam Lisboa através da luz, da cor e da experiência da distância.
Há quase duas décadas que Miguel Barros vive fora de Portugal. É desse distanciamento geográfico e emocional que nasce o reencontro com Lisboa na sua obra. Longe da cidade, a memória transforma-se em proximidade, a saudade converte-se em matéria pictórica e o azul emerge como uma ponte entre o lugar onde vive e aquele que permanece dentro de si.
Em AzulTejo, o artista convida o público a percorrer a sua Lisboa através do olhar, da memória e da pintura. Para Miguel Barros, Lisboa não é apenas uma cidade, mas uma memória viva feita de luz, de azul, de azulejos e de saudade.
Nesta exposição, a palavra azulejo encontra o AzulTejo. O azul das fachadas cruza-se com o azul do céu e com o azul profundo do rio, criando uma linguagem visual onde a cor se transforma em memória e a memória em sentimento.
O visitante é convidado a caminhar pelas ruas que se alongam como pinceladas, a subir as escadinhas de Lisboa, a perder-se nas ruelas, a atravessar os arcos e a deixar o olhar chegar aos miradouros, onde o Tejo se abre diante dele. Em cada parede, em cada porta e em cada fragmento de cidade, encontrará vestígios de uma Lisboa que o tempo e a distância não conseguiram apagar. Mas esta não é uma Lisboa simplesmente retratada. É uma Lisboa sentida à distância.
Nas pinturas de Miguel Barros, o azulejo deixa de ser apenas matéria e padrão, torna-se pele da cidade. O azul deixa de ser apenas cor, torna-se emoção. E o Tejo deixa de ser apenas rio, transforma-se numa presença quase viva, que atravessa a memória do artista e estabelece uma ligação entre duas geografias, depois de anos a viver em Angola, o Canadá, onde vive, e Lisboa, onde permanece uma parte essencial de quem é.
AzulTejo é, assim, mais do que uma exposição, uma celebração de 40 anos de pintura, uma viagem pela memória de um artista emigrante e uma declaração de amor a uma cidade que nunca deixou de levar consigo.
Ao percorrer esta exposição, sob curadoria de Álvaro Lobato de Faria, o visitante poderá reconhecer lugares, cores, atmosferas e talvez reencontrar uma Lisboa que também guarda dentro de si.
Porque há cidades que se visitam. E há cidades que, mesmo quando se fica quase 20 anos longe delas, nunca nos deixam.