
AO LARGO ARDENTE
Numa ala há muito abandonada da Basílica da Estrela, uma série de representações de fogos surgem como manifestação de algo que nos ultrapassa.
Entre pintura, pequenas esculturas e instalação, esta zona do edifício marcada pelo grande claustro é reativada, propondo uma ponte com o passado do espaço, outrora um local activo de vida contemplativa e espiritual.
Com um percurso expositivo desenvolvido através do claustro e salas adjacentes, o andar dos visitantes é marcado pelo encontro com um fogo renovador que se revela como guia e meta deste caminho. É uma exposição onde se explora a relação com o mais íntimo do nosso íntimo, através de representações simbólicas de fogo – pequenos fogos, chamas, penumbra, luz.
Ali sai-se – como que por um portal – do frenesim da cidade para um momento de contemplação e de silêncio onde, através de uma expressão artística que se estendeu a vários meios, se mergulha no mistério da nossa essência – Deus existe?
“Ao Largo Ardente”, a mais recente exposição de Sebastião Cavaco, reactiva uma zona da Basílica da Estrela, procurando um caminho através do rigor orgânico do desenho, de gestos livres
da pintura e da força ríspida do descobrir a escultura. Uma reflexão sobre a manifestação do Divino, onde o fogo surge como símbolo dessa presença.
