50º Festival Estoril Lisboa – Festival no Verão
ENSEMBLE DARCOS | NUNO CÔRTE-REAL, DIREÇÃO MUSICAL
DATA: 21 de Junho | HORA: 21:00
LOCAL: Academia das Ciências de Lisboa, Lisboa
PROGRAMA
G. Mahler (1860-1911)
Sinfonia nº 5
- Marcha Fúnebre
- Allegro
- Scherzo
- Adagietto
- Finale Rondó
Para o reputado ensaísta Donald Mitchell (1925-2017), a 5ª Sinfonia de Gustav Mahler “inicia um novo conceito de drama interior”, no qual um eventual conteúdo programático já não reside na voz, ou em textos explicativos, antes “passou para a clandestinidade”, para a profundeza da psique do compositor. Tela musical gigante, de um alcance emocional inaudito, a 5ª Sinfonia foi escrita entre 1901 e 1902 e estreada em outubro desse ano, em Colónia. Descontente com o resultado, Mahler faria revisões constantes desta sinfonia até à sua morte. No concerto de hoje, ouviremos o arranjo para ensemble instrumental de Klaus Simon (1968), realizado em 2014 por encomenda da Holst-Sinfonietta. De caráter conflituoso, ao convocar, num mesmo espaço, a mais esfusiante das alegrias e a mais transcendente das tristezas, a 5ª Sinfonia parece querer falar das incertezas fundamentais do nosso tempo.
A 1ª secção desta sinfonia compreende os dois andamentos iniciais. Inquieto e desolador, o primeiro andamento começa com uma fanfarra aparentemente vitoriosa que, rapidamente, se dilui numa dolente marcha fúnebre. O segundo andamento, apesar do frenesim que o trespassa, parece querer ascender a um estado de relativo otimismo, caindo repetidamente numa angústia indizível. O mítico maestro Wilhelm Furtwängler (1886-1954) dizia sobre este andamento: “Não conheço nenhuma outra música que possa levar-me a um estado de espírito mais pessimista. Desvaloriza tudo o que ainda pode parecer valioso para nós neste mundo sombrio”. A 2ª secção da sinfonia é constituída pelo terceiro andamento, Scherzo, longo, dominado por um ritmo ternário, vagamente nostálgico, vagamente frívolo, ensaiando uma visão mais positiva da vida. A 3ª secção compreende os dois andamentos finais. Tendo entrado na cultura popular pela mão do realizador Luchino Visconti (1906-1976), ao funcionar como tema no filme Morte em Veneza (1971), baseado na obra homónima (1912) de Thomas Mann (1875-1955), o famoso Adagietto parece querer distanciar-se das tensões. Erroneamente associado à morte, parafraseia a canção de Rückert “Eu moro sozinho no meu céu, no meu amor, na minha canção”. O movimento final possui um caráter exuberante. Luz e trevas confrontam-se uma última vez, num clímax musical apocalíptico.
Estrutura Financiada por:
- Governo de Portugal | Cultura
- Câmara Municipal de Lisboa
Parceria:
- Darcos
Apoio:
- Academia das Ciências de Lisboa