O outono promete renovar profundamente o mapa das exposições em Lisboa. O MAC/CCB — Museu de Arte Contemporânea do Centro Cultural de Belém acaba de colocar em destaque a sua rentrée expositiva para os últimos meses de 2026, com projetos de artistas portugueses e internacionais e várias inaugurações concentradas entre outubro e dezembro.
O anúncio ganha particular relevância pela diversidade das propostas. A programação passa pela reflexão de Ângela Ferreira sobre colonialismo e resistência, pela instalação interativa de Neïl Beloufa, pelo universo visual e material de Francisca Carvalho e por uma grande retrospetiva dedicada aos desenhos de Marisol Escobar.
Resumo rápido da nova programação
- 24 de outubro de 2026: Ângela Ferreira — “Here I Stand”.
- 5 de novembro de 2026: “Paraíso, Hoje.”, no Centro de Arquitetura.
- 3 de dezembro de 2026: Neïl Beloufa.
- 3 de dezembro de 2026: Francisca Carvalho — “Kouroi al cora”.
- 17 de dezembro de 2026: Marisol — “Quando tudo está apenas a começar”.
- Local: MAC/CCB — Centro Cultural de Belém, Lisboa.
- Horário do museu: terça-feira a domingo, das 10h00 às 18h30.
- Última entrada: 18h00.
- Encerramento semanal: segunda-feira.
O calendário da rentrée do MAC/CCB
A nova vaga de exposições começa em outubro e ganha intensidade em dezembro, mês em que três projetos diferentes entram na programação do museu.
De 24 de outubro de 2026 a 28 de fevereiro de 2027, no piso 0 do MAC/CCB.
Nova exposição no Centro de Arquitetura, com inauguração prevista para a noite anterior.
Primeira exposição em Portugal do artista franco-argelino, patente até 4 de abril de 2027.
Exposição individual da artista portuguesa, também patente até 4 de abril de 2027.
Grande retrospetiva dedicada aos desenhos de Marisol Escobar, patente até 12 de abril de 2027.
Ângela Ferreira abre a rentrée com “Here I Stand”
Ângela Ferreira — Here I Stand
Ângela Ferreira será responsável pela primeira grande abertura desta nova sequência expositiva. A artista, nascida em Maputo e formada em Escultura na Universidade da Cidade do Cabo durante o período do apartheid, desenvolve uma prática que cruza instalação, vídeo, fotografia e escultura.
“Here I Stand” propõe um percurso entre trabalhos realizados desde a década de 1990 e criações recentes, colocando em diálogo alguns dos temas que têm marcado o trabalho da artista.
No centro da exposição surgem questões relacionadas com colonização, arquitetura, infraestruturas, memória histórica e formas de resistência.
A curadoria é de Nuria Enguita, diretora artística do MAC/CCB.
“Paraíso, Hoje.” chega ao Centro de Arquitetura em novembro
A programação prossegue no Centro de Arquitetura do MAC/CCB com “Paraíso, Hoje.”, disponível ao público a partir de 5 de novembro.
A inauguração acontece na véspera, 4 de novembro, às 19h00. A noite inclui ainda, às 20h00, o lançamento de um vinil e uma performance de Jorge Queijo, responsável pela paisagem sonora do projeto.
O programa público associado à exposição prevê também uma conversa no dia 7 de novembro, às 16h00.

Neïl Beloufa estreia-se em Portugal com uma exposição interativa
Neïl Beloufa
O artista franco-argelino Neïl Beloufa apresenta no MAC/CCB a sua primeira exposição em Portugal.
O projeto transforma a visita numa experiência participativa. O público é convidado a interagir com objetos e a atravessar diferentes capítulos de uma espécie de jogo de computador ao vivo, onde aparecem cenários, arquivos, karaoke, quartos e referências a espaços militares.
A interação de cada visitante pode ser registada através de sensores e mecanismos algorítmicos, fazendo com que o espectador deixe de ocupar uma posição exclusivamente passiva.
A proposta cruza ficção, tecnologia, cultura popular e geopolítica, questionando precisamente o ponto em que a realidade e a construção ficcional começam a confundir-se.
A curadoria é de Marta Mestre.
Francisca Carvalho transforma símbolos, padrões e técnicas tradicionais
Francisca Carvalho — Kouroi al cora
No mesmo dia abre “Kouroi al cora”, exposição individual de Francisca Carvalho.
A artista trabalha a partir da manipulação de símbolos e sinais provenientes de geografias distintas, transformando essas referências em colagens, desenhos, padrões, textos, pinturas e têxteis.
A mostra inclui uma ampla seleção de trabalhos em papel e apresenta ainda resultados da investigação desenvolvida pela artista na Índia, nomeadamente nas regiões do Rajastão e Gujarat.
Nesse percurso, Francisca Carvalho aprofundou técnicas ligadas a padrões, corantes naturais, kalamkari, hand-block printing e experiências com vidro.
A curadoria é de Sara De Chiara.
Marisol fecha o ano com uma retrospetiva de mais de 100 obras
Marisol — Quando tudo está apenas a começar
A última grande abertura do ano poderá tornar-se numa das exposições mais procuradas desta rentrée.
“Quando tudo está apenas a começar” é apresentada pelo MAC/CCB como a primeira retrospetiva dedicada aos desenhos de Marisol Escobar, artista nascida em Paris em 1930 e falecida em Nova Iorque em 2016.
A exposição reúne mais de 100 obras produzidas desde a década de 1950 até à fase final da vida da artista.
Os desenhos surgem em diálogo com esculturas, materiais de arquivo e vários filmes de Andy Warhol nos quais Marisol participou.
Grande parte das obras provém da coleção do Buffalo AKG Art Museum, permitindo observar o desenho como uma linha contínua dentro de uma carreira que atravessou diferentes linguagens e momentos da história da arte do século XX.
A exposição tem curadoria de Laura Vallés Vílchez, é coproduzida pelo MAC/CCB e pela Fundación Botín e foi concebida em colaboração com o Buffalo AKG Art Museum.
As inaugurações de dezembro juntam artistas e curadores
A abertura conjunta das exposições de Neïl Beloufa e Francisca Carvalho está marcada para 2 de dezembro.
Às 18h00 realiza-se uma conversa no Auditório MAC/CCB com Neïl Beloufa, Francisca Carvalho, Marta Mestre e Sara De Chiara. A inauguração das exposições acontece às 19h00 e tem entrada livre.
A exposição de Marisol terá um momento semelhante no dia 16 de dezembro. Às 18h00 realiza-se uma conversa entre a curadora Laura Vallés Vílchez e Nuria Enguita, seguindo-se a inauguração às 19h00.
Maruja Mallo antecipa a rentrée já em setembro
Antes da abertura de “Here I Stand”, o calendário expositivo ganha uma novidade a 15 de setembro com Mostra Espanha 2026: Obras Convidadas — De Maruja Mallo.
A apresentação permanece no MAC/CCB até 29 de novembro de 2026, funcionando como uma espécie de antecâmara para o período de novas inaugurações que se intensifica a partir de outubro.
O que ainda pode ver no MAC/CCB antes das novas exposições
A rentrée não significa que o museu fique parado até outubro. Várias exposições permanecem abertas durante o verão e o início do outono.
Horário do MAC/CCB e informações práticas
10h00–18h30
Praça do Império, Lisboa
O museu disponibiliza entrada gratuita aos domingos até às 14h00 para residentes em Portugal, de acordo com as condições de acesso em vigor.
As inaugurações de Ângela Ferreira, Neïl Beloufa, Francisca Carvalho e Marisol anunciadas pelo museu têm também entrada livre.
Porque esta rentrée é relevante para Lisboa
Mais do que uma sucessão de inaugurações, a programação mostra diferentes formas de pensar a arte contemporânea.
Ângela Ferreira cruza memória colonial e estruturas de poder; Neïl Beloufa aproxima tecnologia, interatividade e geopolítica; Francisca Carvalho liga desenho e matéria a conhecimentos assimilados em diferentes geografias; Marisol regressa ao centro da atenção através de uma leitura aprofundada do desenho.
A diversidade de linguagens — escultura, vídeo, instalação, fotografia, desenho, têxtil, arquivo e tecnologia — ajuda a transformar o último trimestre de 2026 num dos períodos mais fortes do calendário do MAC/CCB.
Ver programação do MAC/CCB
Dicas para planear a visita
- Confirme a programação e eventuais alterações antes da deslocação.
- Se quiser assistir às inaugurações, tenha em conta que algumas acontecem na noite anterior à abertura oficial ao público.
- Neïl Beloufa e Francisca Carvalho inauguram no mesmo dia, o que permite visitar as duas exposições numa única deslocação.
- Aproveite a manhã de domingo se cumprir as condições de entrada gratuita para residentes em Portugal.
- Reserve tempo adicional para visitar as exposições permanentes do MAC/CCB.
- Em dezembro será possível combinar numa mesma visita várias das novas exposições.
Perguntas frequentes sobre as novas exposições do MAC/CCB
Quando começa a nova rentrée de exposições do MAC/CCB?
A principal sequência de novas exposições começa a 24 de outubro de 2026 com “Here I Stand”, de Ângela Ferreira. Antes disso, a partir de 15 de setembro, o museu recebe também obras de Maruja Mallo no âmbito da Mostra Espanha 2026.
Que artistas vão ter novas exposições no MAC/CCB?
A rentrée inclui exposições de Ângela Ferreira, Neïl Beloufa, Francisca Carvalho e Marisol Escobar, além do projeto “Paraíso, Hoje.” no Centro de Arquitetura.
Quando abre a exposição de Ângela Ferreira?
“Here I Stand” abre ao público a 24 de outubro de 2026 e permanece patente até 28 de fevereiro de 2027. A inauguração acontece no dia 23 de outubro, às 19h00.
Quando abre a exposição de Neïl Beloufa?
A primeira exposição em Portugal de Neïl Beloufa abre ao público a 3 de dezembro de 2026 e permanece patente até 4 de abril de 2027.
Quando abre a exposição de Francisca Carvalho?
“Kouroi al cora”, de Francisca Carvalho, abre a 3 de dezembro de 2026 e pode ser visitada até 4 de abril de 2027.
Quando abre a exposição de Marisol?
“Marisol — Quando tudo está apenas a começar” abre a 17 de dezembro de 2026 e permanece no MAC/CCB até 12 de abril de 2027.
Qual é o horário do MAC/CCB?
O MAC/CCB funciona de terça-feira a domingo, das 10h00 às 18h30, com última entrada às 18h00. Encerra à segunda-feira.
Há entrada gratuita no MAC/CCB?
O museu disponibiliza entrada gratuita aos domingos até às 14h00 para residentes em Portugal, de acordo com as condições em vigor. Algumas inaugurações e atividades têm também acesso gratuito.
Porque vale a pena acompanhar a nova temporada do MAC/CCB
O último trimestre de 2026 coloca o MAC/CCB entre os espaços a acompanhar com maior atenção na agenda cultural de Lisboa.
A rentrée combina uma figura central da arte portuguesa, Ângela Ferreira, com a primeira exposição portuguesa de Neïl Beloufa, uma nova individual de Francisca Carvalho e uma retrospetiva de grande dimensão dedicada a Marisol.
Para quem acompanha arte contemporânea, desenho, instalação, escultura ou novos formatos expositivos, há várias razões para regressar ao Centro Cultural de Belém entre outubro e dezembro — e muitas destas exposições continuarão abertas nos primeiros meses de 2027.
