Odete abre a temporada com «Nacionalismo»
A estreia absoluta da peça «Nacionalismo», de Odete, abre em setembro a nova temporada do Teatro do Bairro Alto, que inclui ainda um concerto de Gabriel Ferrandini entre dezenas de propostas de teatro, dança, música e performance.
A programação inclui também a estreia absoluta de «Câncer em Saturno», de Joana Levi, e as coproduções «Agora baixou o sol», de Luísa Saraiva, e «Please, Love Me!», de Cleo Diára, a par de quatro estreias nacionais assinadas por artistas estrangeiros e de uma conferência.
A maior parte da programação resulta do trabalho desenvolvido pelo anterior diretor artístico, Francisco Frazão, antes da sua saída, em março. O atual diretor artístico, Miguel Loureiro, acrescentou cinco espetáculos à temporada.
Entre 10 e 13 de setembro, Odete estreia «Nacionalismo», criação em coprodução com o TBA que revisita criticamente a construção histórica da ideia de nação em Portugal.
A criação é interpretada por dois artistas transgénero, cujas identidades questionam os limites da pertença, da memória e da identidade nacional.
Principais momentos da nova temporada
«Nacionalismo»
Odete abre a temporada entre 10 e 13 de setembro com uma criação sobre a construção histórica da ideia de nação em Portugal.
«Rinse»
A coreógrafa australiana Amrita Hepi cruza autobiografia, história colonial, feminismo e dança numa reflexão sobre os começos, a memória e o desejo.
«Agora baixou o sol»
Luísa Saraiva apresenta um solo de dança inspirado numa antiga canção popular do noroeste português.
Gabriel Ferrandini
O percussionista e compositor apresenta o álbum «Romance», cinco anos depois de «Hair of the Dog».
«SaHO»
A coreógrafa libanesa Nivine Kallas apresenta em Portugal um espetáculo sobre língua, memória, repressão e resistência.
«Câncer em Saturno»
Joana Levi estreia o último capítulo de uma trilogia dedicada às relações entre o ser humano e o mundo natural.
«Please, Love Me!»
Cleo Diára apresenta, entre 27 e 29 de novembro, uma criação sobre violência, desejo, espiritualidade e a condição da mulher negra.
«Yes Daddy»
A companhia palestiniana Khashabi Theatre Palestine apresenta a criação de Bashar Murkus e Khulood Basel, distinguida em França como Melhor Produção Teatral Estrangeira.
Luísa Saraiva e Gabriel Ferrandini em outubro
Em outubro, Luísa Saraiva apresenta «Agora baixou o sol», também em coprodução com o Teatro do Bairro Alto. O solo de dança é inspirado numa antiga canção popular do noroeste português.
A criação parte do canto, da voz e do movimento para refletir sobre vulnerabilidade, envelhecimento, comunidade e regeneração.
Depois de uma antestreia no Festival Dias da Dança e da estreia internacional em Berlim, o espetáculo chega agora ao TBA.
Na música, o percussionista e compositor Gabriel Ferrandini apresenta também em outubro o novo álbum «Romance», cinco anos depois de «Hair of the Dog».
O trabalho aprofunda uma escrita que ultrapassa a bateria para integrar coro, orquestra de cordas e eletrónica.
Joana Levi estreia «Câncer em Saturno»
No início de novembro estreia-se «Câncer em Saturno», de Joana Levi, último capítulo de uma trilogia dedicada às relações entre o ser humano e o mundo natural.
A criadora cruza filosofia, ciência, astrologia e experiência autobiográfica para construir uma performance que relaciona o universo microscópico das células com o cosmos e a doença.
Cleo Diára apresenta «Please, Love Me!»
No final de novembro, Cleo Diára apresenta «Please, Love Me!», uma coprodução que acompanha uma cantora pop cabo-verdiana confrontada com a violência, o desejo e a espiritualidade.
O espetáculo convoca referências da cosmologia Yoruba e figuras míticas como Medusa, Medeia e Lilith, para refletir sobre a condição de uma mulher negra num contexto patriarcal.
Quatro estreias nacionais de artistas estrangeiros
Entre as estreias nacionais destaca-se «Hewa Rwanda, Lettre aux Absents», do autor, ator e encenador ruandês Dorcy Rugamba.
A criação revisita em palco o genocídio dos tutsis de 1994 através de um testemunho autobiográfico construído como um hino à vida.
Também em setembro, o TBA apresenta «Rinse», da coreógrafa australiana Amrita Hepi, criada em colaboração com Mish Grigor.
Autobiografia, história colonial, feminismo e dança cruzam-se numa reflexão sobre os começos, a memória e o desejo.
Em outubro estreia-se em Portugal «SaHO», da coreógrafa libanesa Nivine Kallas. O espetáculo parte da língua árabe, da memória escolar e da experiência da repressão para construir uma linguagem corporal assente na resistência, na imaginação e na fuga.
Khashabi Theatre apresenta «Yes Daddy» em dezembro
Em dezembro, a companhia palestiniana Khashabi Theatre Palestine apresenta «Yes Daddy», uma criação de Bashar Murkus e Khulood Basel.

O espetáculo foi distinguido em França com o prémio de Melhor Produção Teatral Estrangeira e centra-se no encontro entre um homem idoso e um jovem trabalhador sexual.
A partir desta relação, a companhia propõe uma reflexão sobre solidão, memória e violência.
«Yes Daddy» foi anteriormente apresentado no Festival de Avignon, consolidando o reconhecimento internacional do trabalho desenvolvido pela companhia palestiniana.
Guerra, migração e identidades diaspóricas
«Clap & Slap»
Os coreógrafos Agniete Lisickinaite e Igor Shugaleev abordam os conflitos provocados pela guerra na Ucrânia.
«asses.masses»
Patrick Blenkarn e Milton Lim apresentam um videojogo coletivo levado ao palco durante cerca de oito horas.
«Haribo Kimchi»
O sul-coreano Jaha Koo cruza teatro, música, vídeo e robótica para abordar identidade, migração e assimilação cultural.
«Cadências Crioulas, Dez Mil Vezes Desdobradas»
Inés Sybille Vooduness e Malvin Puerca de Goma exploram identidades diaspóricas e culturas afro-caribenhas.
«Bright Horses»
Carminda Soares e Maria R. Soares utilizam as relações entre irmãos gémeos para refletir sobre competição e afetos.
Cinema pan-africano e pensamento pós-colonial
A programação inclui ainda a conferência reagendada «Imagining Otherwise: Cinema, Identity & the Radical Act of Self-Definition», da antropóloga e programadora Jacqueline Nsiah.
A iniciativa é dedicada ao cinema pan-africano, à identidade e ao pensamento pós-colonial, sendo acompanhada por um ciclo de três filmes.
Debates, podcast e acessibilidade
Ao longo da temporada prosseguem as sessões do Clube Espectador, os debates com artistas e os episódios do podcast «Dito e Feito».
O Teatro do Bairro Alto mantém igualmente iniciativas de acessibilidade, com espetáculos que incluem interpretação em Língua Gestual Portuguesa, audiodescrição, legendagem e tradução simultânea.
