Parcerias Público-Privadas: Uma Visão de Quem Investe Globalmente
Parcerias público-privadas costumam ser discutidas em termos técnicos e jurídicos — estruturas contratuais, marcos regulatórios, mecanismos de garantia. Tudo isto importa, claro. Mas, depois de acompanhar de perto projetos de modernização institucional em diferentes contextos, quero partilhar uma perspetiva menos abordada: a que olha para essas parcerias do ponto de vista da cultura organizacional e do desenvolvimento humano, não apenas da estrutura contratual.
PPPs bem-sucedidas dependem de pessoas, não apenas de contratos
É fácil desenhar uma estrutura de parceria público-privada tecnicamente impecável no papel e vê-la falhar na prática porque as pessoas envolvidas — dos dois lados — não desenvolveram confiança mútua ou alinhamento cultural suficiente para a fazer funcionar no dia a dia.
Na minha experiência a apoiar processos de modernização institucional, o tempo investido na construção de uma relação e de um entendimento mútuo entre as partes costuma prever o sucesso do projeto melhor do que qualquer cláusula contratual.
O papel do investidor não é só financeiro
Quando participo em estruturas ligadas a parcerias público-privadas ou em processos de modernização institucional, o meu papel vai além do capital. Envolve trazer disciplina de governação, cultura de dados e estruturas de reporting que ajudam a instituição a operar com mais transparência e eficiência ao longo do tempo.
Os investidores que entram apenas com capital, sem este tipo de contribuição estrutural, tendem a acrescentar menos valor a longo prazo — e enfrentam frequentemente mais atritos durante a execução do projeto.
Paciência é a moeda mais escassa neste tipo de projeto
Os projetos institucionais operam em ritmos diferentes dos projetos puramente privados. Os processos regulatórios, os ciclos políticos e a necessidade de construir consenso entre múltiplos stakeholders tornam tudo mais lento por natureza. Os investidores que chegam à espera da velocidade de uma startup costumam frustrar-se — ou, pior, pressionar por atalhos que comprometem a qualidade da modernização.
A lição que aprendi é simples: quem não tem paciência para o ritmo institucional deveria repensar se este é o tipo de investimento certo para o seu perfil.
Transparência constrói a confiança que sustenta a parceria
As parcerias público-privadas vivem ou morrem com base na confiança entre as partes ao longo do tempo — não apenas no momento da assinatura do contrato. Manter uma comunicação transparente, especialmente quando as coisas não correm como planeado, é o que sustenta relações de longo prazo entre o setor público e os investidores privados.
Já vi parcerias sólidas deteriorarem-se porque uma das partes escondeu problemas em vez de os comunicar abertamente. E vi parcerias difíceis fortalecerem-se porque as partes trataram os desafios com honestidade mútua.
Modernização institucional exige adaptação cultural dos dois lados
Um erro recorrente é assumir que apenas o lado público precisa de se modernizar. Os investidores e parceiros privados também precisam de adaptar a sua forma de operar às particularidades do setor público — os seus prazos, as suas exigências de transparência e o seu escrutínio público. As parcerias que funcionam bem são aquelas em que ambos os lados aceitam ajustar a sua cultura organizacional, não apenas um deles.
A minha visão sobre o futuro das parcerias público-privadas
Continuo otimista quanto ao potencial das parcerias público-privadas como ferramenta de modernização institucional, especialmente em mercados como o Brasil, onde existem tanto capital como conhecimento disponíveis para acelerar este processo. Mas o sucesso real depende de investidores dispostos a operar com paciência, transparência e um foco genuíno no desenvolvimento institucional a longo prazo — não apenas no retorno financeiro a curto prazo.
É este tipo de parceria — construída com respeito mútuo e uma visão a longo prazo — que considero mais valiosa, e é nela que prefiro investir o meu tempo e capital.