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DESCRIPTION:CARNAVAL DE TORRES VEDRAS 2023\nCrianças até aos 9 anos inclusivé não pagam bilhete, desde que acompanhadas por um adulto portador de bilhete válido.\nBilhetes 🎟  ( https://ticketline.sapo.pt/evento/carnaval-de-torres-vedrasbilhete-diario-70438 )\nHorários:\n18 Fev – das 18h00 às 04h\n19 Fev – das 11h00 às 19h\n20 Fev – das 18h00 às 04h\n21 Fev – das 11h00 às 19h\nLocal: Cidade de Torres Vedras\nEsta atividade integra o programa 100 anos do Carnaval de Torres Vedras ( http://www.cm-tvedras.pt/agenda/programa/90 )\n\n“100 anos de Carnaval de Torres Vedras” é o tema da edição de 2023 do Carnaval de Torres Vedras. No próximo ano o Carnaval de Torres Vedras realiza-se de 17 a 22 de fevereiro e marcará o início das comemorações do seu Centenário, que decorrem até 14 de fevereiro de 2024.\n \nPrograma\n28 janeiro | sábado\n19h00  – Inauguração do Monumento ao Carnaval [Praça Sr.Vinho – Mercado Municipal de Torres Vedras à Praça da República]\n22h00 à 1h00 – Encontro de Gentes [Expotorres – Pav. Expo]\n\nCenoura & Amigos\n\n17 fevereiro | sexta-feira\n9h30  – Corso Escolar [centro da cidade]\n14h30  – Baile de Máscaras Tradição [Expotorres – Pavilhão Multiusos]\nAtuação da banda Abel Alves\n22h00 às 4h00 – DJ’s Carnaval\n\nPraça Super Bock (Jardins de Santiago)\nPraça Machado Santos\nPraça Dr. Alberto Avelino\nPraça Paladin (Mercado Municipal)\n\n22h30  – Chegada e Entronização dos Reis do Carnaval [Estação Ferroviária à Av. 5 de Outubro]\nCoorganização com a Real Confraria do Carnaval de Torres\n \n18 fevereiro | sábado\n21h00  – Corso Noturno: Concurso de Grupos de Mascarados e Tó’Candar Paladin com Banda Baco [centro da cidade] | \n\n22h00 às 4h00 – DJ’s Carnaval\n\nPraça Super Bock (Jardins de Santiago)\nPraça Machado Santos\nPraça Paladin (Mercado Municipal)\nArraial Fest | Convidado: MIGUEL BRAVO Praça Dr. Alberto Avelino\n\n19 fevereiro | domingo\n14h00 às 20h00 – Programa “Somos Portugal” – TVI [Praça 25 de Abril]\n14h30  – Corso Diurno: Desfile de Carros Alegóricos, Grupos de Mascarados, Tó’Candar Paladin com Banda Baco e Desfile de Carros Espontâneos [centro da cidade]\n\n22h00 às 4h00 – DJ’s Carnaval\n\nPraça Super Bock (Jardins de Santiago)\nPraça Paladin (Mercado Municipal)\nPraça Machado Santos\n\n20 fevereiro | segunda-feira\n21h00  – Corso Noturno: Corso Trapalhão e Tó’Candar Paladin com Banda Baco [centro da cidade]\n22h00 às 4h00  – DJ’s Carnaval\n\nPraça Super Bock (Jardins de Santiago)\nPraça Machado Santos\nPraça Paladin (Mercado Municipal)\nArraial Fest | Convidado: RUTH MARLENE [Praça Dr. Alberto Avelino]\n\n23h00 – Concurso de Matrafonas [Av. 5 de Outubro, em frente à Câmara Municipal]\n21 fevereiro | terça-feira\n14h30  – Corso Diurno: Desfile de Carros Alegóricos, Grupos de Mascarados, Tó’Candar Paladin com Banda Baco e Desfile de Carros Espontâneos [centro da cidade]\n15h00  – Anúncio dos vencedores do concurso de Grupos de Mascarados [Av. 5 de Outubro, em frente à Câmara Municipal]\n22 fevereiro | quarta-feira\n21h00  – Enterro do Entrudo [da Av. Tenente Valadim ao Tribunal de Torres Vedras]\nCoorganização com a Real Confraria do Carnaval de Torres\nHistória do Carnaval de Torres Vedras\nA primeira referência conhecida dos festejos do Entrudo em Torres Vedras remonta a 1574. Trata-se de uma queixa apresentada por Jerónimo de Miranda, morador na então vila de Torres Vedras, contra uns jovens que “corriam o galo” no dia de entrudo (hábito comum noutras regiões do país), como testemunha um documento da Chancelaria de D. Sebastião.\nDurante o século XIX até cerca de 1920, o Carnaval era celebrado em casa de particulares e nas sociedades recreativas, cujos programas carnavalescos consistiam em bailes, teatro e récitas. Assim, à exceção de um ou outro folião mascarado, não haviam festejos de rua no Carnaval. Existem, inclusivamente, registos jornalísticos que evidenciam o contraste entre a pouca animação de rua e os divertimentos dos grémios e salões de coletividades.\nNote-se, ainda, que algumas brincadeiras de Carnaval como lançar “pulhas” não eram bem vistas pelas autoridades e pela opinião pública.\nNo entanto, no início do século XX verificaram-se dois momentos em que as festividades de rua tiveram grande expressividade: em 1908 e em 1912. Estes fenómenos parecem estar associados à elite republicana local, que aproveita o Carnaval para fazer uma caricatura ao contexto político-social.\nO assassinato de D. Carlos, em 1908, é um episódio marcante na vivência do Carnaval de rua em Torres Vedras, como evidenciam as notícias do jornal Folha de Torres Vedras desse ano, em contraste com as do ano anterior.\nSe em 1908, um grupo de mascarados satirizaram os franquistas (partidários do governo liderado por João Franco, político português que governou entre 1906 e 1908), em 1912, parodiavam as tropas contrarrevolucionárias de Paiva Couceiro (que liderou a contrarrevolução monárquica que sucedeu à proclamação da República).\nEsta última manifestação mereceu destaque na Ilustração Portuguesa, com a seguinte legenda:\n“Em Torres Vedras: Paródia carnavalesca «Invasão dos Paivantes» o exército afuguentado pelo «Zé Povinho», que lhes atira uma bomba de 5 reis”.\nJá por volta da década de 1920, grupos de rapazes, organizados numa comissão, puseram em marcha os cortejos e burricadas de rua, influenciados pelos cortejos feitos por estudantes em Lisboa.\nAs origens do Carnaval contemporâneo\nO Carnaval de Torres Vedras apresenta características tipicamente urbanas, ao mesmo tempo que mantém particularidades do entrudo rural.\nAs características tipicamente urbanas têm a sua origem numa elite local republicana e num grupo social emergente comercial e industrial que, no início do século XX, introduziu o corso, os carros alegóricos, as batalhas de flores e as figuras dos Reis do Carnaval (que remontam aos modelos carnavalescos franceses e italianos).\nPor outro lado, alguns elementos rurais que visavam, na sua origem, a expurgação e purificação das comunidades – como o julgamento e a queima do entrudo – subsistiram no Carnaval de Torres Vedras. O mesmo aconteceu com a figura da matrafona, outro exemplo de transgressão das regras sociai, através da inversão dos papéis de género masculino e feminino.\nO Carnaval de rua ganha outro protagonismo no ano de 1923. Foi nesse ano que teve início a “dinastia” régia, apenas com o Rei, protagonizado por Álvaro André de Brito. O ano marca o início da tradição do Rei do Carnaval de Torres Vedras, ainda que as manifestações carnavalescas sejam seculares.\nNesse ano, realizou-se a primeira receção ao Rei do Carnaval, que consistia num cortejo real com início na estação ferroviária, seguindo até ao Centro Histórico (com passagem pelas associações recreativas), acompanhado pelos ministros, pelas suas Matrafonas e pela banda filarmónica dos bombeiros.\nNo ano seguinte, surgiria a primeira Rainha do Carnaval de Torres Vedras, interpretada por Jaime Alves.\nApesar da importância crescente do Carnaval de rua, as coletividades não perderam o seu “lugar”. O Casino e o Grémio Artístico Comercial surgiram no início do século, seguindo-se, mais tarde, a Tuna Comercial Torreense. Posteriormente, inauguraram salas de cinema como o animatógrafo e o Teatro-Cine Ferreira da Silva, que também apresentavam programas especiais para esta quadra.\nA eleição de uma Rainha matrafona, em 1924, poderá ter desencadeado um efeito difusor pelos homens no período carnavalesco, em que a transgressão de regras e a sátira imperam. As dificuldades económicas dos homens do campo também podem estar na origem do fenómeno. Não havendo dinheiro para comprar máscaras, recorriam ao vestuário da esposa ou da mãe.\nO Carnaval de Torres Vedras conquistou projeção nacional logo na década de 1930. Considerado um cartaz turístico da região, foi, desde cedo, apoiado pela Comissão de Turismo.\nA primeira Batalha de Flores realiza-se em 1931, na Avenida 5 de Outubro, em recinto fechado. O lucro desse ano reverteu a favor da Colónia Balnear Infantil de Santa Cruz.\nOs primeiros cabeçudos surgiram na década de 1930 pelas mãos de Luís Faria, pintor, e Amílcar Guerreiro, artista plástico e autor da caraça que integra o logotipo do Carnaval de Torres Vedras.\nAinda durante a década de 1930, os carros alegóricos eram de particulares ou de casas comerciais.\nAté 1940, os festejos carnavalescos atraem cada vez mais pessoas de todo o país, ganhando projeção a nível nacional e desempenhando um papel cada vez mais importante na economia local. No entanto, a Segunda Guerra Mundial levaria à interrupção dos festejos, entre 1941 e 1945.\nNesta década, destaca-se o ano de 1948, pela intenção de fazer “ressurgir” a vitalidade do Carnaval de Torres Vedras, estimulado pela comissão de festas. Aponta-se para que, nesse ano, tenha também surgido a “pandilha”, grupo de teatro que percorria as coletividades locais fazendo crítica social e política, na senda do tradicional Entrudo rural.\nOs zés-pereiras surgem no Carnaval de Torres Vedras na década de 1960. O primeiro concurso público de desenhos de carros alegóricos realizou-se em 1966 e o primeiro passeio auto-trapalhão em 1971. No âmbito da comemoração do 50º aniversário do Carnaval, promove-se o primeiro concurso fotográfico, em 1972.\nDe 1978 a 1983, o Carnaval foi organizado por uma comissão, com o apoio da Câmara Municipal. Os lucros desses festejos reverteram a favor do Asilo de São José.\nOs danos e prejuízos provocados pelas grandes cheias que assolaram Torres Vedras em 1983 motivaram o cancelamento do Carnaval no ano seguinte. Em 1985, a Câmara Municipal de Torres Vedras havia de centralizar a gestão e organização dos festejos.\nDécadas de inovação e crescimento\nA partir de 1988, por sugestão de José Pedro Sobreiro (artista plástico que realizou os projetos dos carros alegóricos entre 1981 e 1993 e ainda em 2001) o Carnaval de Torres Vedras começou a apresentar um tema anual. Em 1989, o evento foi, pela primeira vez, transmitido em direto por um canal de televisão.\nA década de 1990 ficou marcada por várias inovações que se mantêm aos dias de hoje, como a realização do corso escolar (1990), do Carnaval de Verão em Santa Cruz (1995) e do Monumento ao Carnaval, na altura designado como o “lançamento da primeira pedra” (1999).\nEntre 1997 e 2005, foram, ainda, introduzidos os “cavalinhos” musicais nos corsos, o Concurso de Grupos de Mascarados, o Corso Trapalhão, a Chegada dos Reis na sexta-feira à noite (2004), e o Tó’ Candar (2000).\nEm 2000, a produção do Carnaval foi entregue à empresa municipal Promotorres, que envolve no processo as associações, grupos e demais cidadãos que participam no evento.\nO entrudo nas aldeias\nParalelamente à ascensão do Carnaval urbano na cidade durante a década de 1920, o entrudo rural persistiu nas aldeias.\nSegundo Ana Margarida Santos (2000), o Entrudo rural de carácter grosseiro e violento persistia e era praticado nalgumas aldeias do concelho de Torres Vedras, através, por exemplo, das pulhas, encenação ou declamação de textos de tom insultuoso e de crítica social, que expunham publicamente a moral e os comportamentos de vizinhos que não seguissem o cânone social estabelecido.\nVenerando de Matos (1998) afirma que ainda nos anos de 1920, as pulhas seriam a principal brincadeira de Carnaval na zona rural do Concelho.\nUma das descrições mais pormenorizadas do Entrudo rural é de Rodney Gallop que, na Cadriceira em 1932, documentou aquilo que intitulou de cegada – uma teatralização em que homens cantavam e dançavam, culminando com uma mulher a “encenar” um parto.\nA manifestação de cegadas, lançamento de pulhas, teatralização espontânea, danças e contradanças entre aldeias vizinhas eram práticas habituais no Entrudo rural.\nEntre o final do século XIX e o início do século XX, o modelo rural das pulhas, cegadas e outras manifestações (como o arremesso de grão, feijão da farinha, água suja ou dejetos) foi fortemente criticado pela imprensa da época, sendo alvo de repressão e proibição policial e municipal devido aos novos modelos de celebração do Carnaval.\nFonte: Registo do Carnaval de Torres Vedras no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial\n\nCARNAVAL DE TORRES VEDRAS 2023\n
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